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23 de Novembro de 2010 - 13:11:33

Geral

Sertão do Rio Bonito

Comunidade de Braço do Norte tem o desafio de transformar área rural em urbana na próxima década
cidade e campo se misturam

Depois da primeira visita realizada na comunidade de Rio Pequeno, a reportagem da Folha do Vale desembarcou no último sábado, 20 de novembro, no Sertão do Rio Bonito, com o objetivo de conhecer um pouco mais de uma das comunidades que liga Braço do Norte a São Ludgero, mas que ainda é desconhecida por muitas pessoas na região.
Ao chegar à comunidade, um coincidência: encontramos os moradores realizando os últimos preparativos para a tradicional festa em honra à padroeira da comunidade, Santa Catarina de Alexandria, que acontece há mais de duas décadas e que a cada ano atrai mais visitantes ao bairro.

[caption id="attachment_5349" align="aligncenter" width="367" caption="SEGUNDO moradores, esta paisagem deve mudar nos próximos anos, dando lugar às residências"][/caption]

Assim como a maioria das comunidades de interior, a religião Católica é a predominante, aproximadamente 90% das pessoas são adeptas do catolicismo. Durante os dias de festa a comunidade se uniu ainda mais. Cada morador deu sua colaboração, com trabalhos para a organização ou através de doação de prendas.

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Tradições passadas de pais para filhos

A devoção religiosa é o maior laço cultural da comunidade. Porém outras tradições antigas ensinadas de pais para filhos são mantidas no Sertão de Rio Bonito, como as novenas realizadas pelos grupos de famílias e os ternos de reis, onde um grupo de seis há oito pessoas se reúne e, com seus instrumentos, saem pelas casas cantando versos e poesias, para alegrar os moradores por onde passam.

[caption id="attachment_5350" align="aligncenter" width="438" caption="CASA foi utilizada para as primeiras novenas entre família"][/caption]

De acordo com Sebastião Antônio da Silva, tudo é motivo de festa na comunidade. “Uma das principais diversões é quando alguém próximo a nós está de aniversário. Todos os parentes e amigos se reúnem para festejar, e, em muitas vezes, acabam se transformando em bailes”, comenta.

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Os primeiros habitantes

De acordo com os moradores, a comunidade recebeu esse nome, há mais de meio século, quando o local era revestido por mata nativa, e existiam apenas algumas trilhas feitas pelos carros de bois, que davam acesso a aproximadamente cinco casas localizadas dentro da mata. A rodovia SC-438, que liga Braço do Norte a Tubarão, e o fato da localidade ficar atrás da comunidade de Rio Bonito, era conhecido pelas pessoas da época como “Sertão do Rio Bonito”.

[caption id="attachment_5351" align="aligncenter" width="394" caption="CASAL teve onze filhos é se diz realizados em viver na comunidade"][/caption]

As primeiras famílias a habitar a região, eram camponeses, com sobrenome “Da Silva”, que na época era considerado sobrenome de brasileiros, usado para distinguir dos imigrantes alemães e italianos.
Essas famílias sobreviviam de pequenas lavouras de milho, cana, feijão, mandioca e da criação de porcos e galinhas criadas soltas nos terreiros das casas. As únicas indústrias existentes eram os engenhos de farinha de mandioca e açúcar, que  o  produto era usado para o consumo das famílias da comunidade. Mais tarde iniciaram as primeiras atividades econômicas, como fumicultura, suinocultura e madeireiras.
Segundo o casal Sebastião Antônio da Silva e Nerci Cruz da Silva, alguns dos primeiros moradores do Sertão do Rio Bonito, as roças eram feitas e cultivadas apenas com enxadas, pois na época não existia arados. “Era uma época bastante difícil, pois tínhamos que produzir o açúcar para depois fazer o café, já o avô da minha esposa tinha engenho de farinha onde trocavam os produtos em excesso”, lembra Sebastião.
“Apesar de todas as dificuldades que enfrentávamos, éramos felizes. Hoje as pessoas têm de tudo e reclamam, observamos nos noticiários, pessoas sofrendo de várias doenças como depressão, algumas se suicidando”, comenta Nerci.

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Representação política

A comunidade de Sertão do Rio Bonito é uma das poucas comunidades a se dar o luxo de ter dois representantes no Legislativo braçonortense. Os vereadores Cleber Silva (PP) e Antonio Bittencourt, o “Toninho da Cabana” (DEM), têm ligações com o bairro.

Mas o maior nome da política local é o do ex-deputado estadual, Lauro André, eleito duas vezes na década de 70, e que nasceu em Sertão do Rio Bonito.Além de políticos, a comunidade ainda tem outros filhos ilustres, como o radialista Pedro Ramon da Silva, “Ramon”, que formou uma dupla de sucesso com Antônio José da Silva Neto, “Tom”.
Segundo, o vice-presidente da Comissão para Assuntos Econômicos da Paróquia (Caep) Neir da Silva, o Sertão do Rio Bonito é uma comunidade formadora de talentos. “Todos que moram na comunidade se considera um artista a parte”, brinca Neir.

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Economia diversificada

Apesar de ainda ser uma comunidade genuinamente rural, a economia passou a ser bastante diversificada na última década. Com destaque a piscicultura, suinocultura, produção de verduras, gado leiteiro, metalúrgicas, moldureiras e construção civil são exercidas no Sertão de Rio Bonito.

[caption id="attachment_5352" align="aligncenter" width="330" caption="PRODUÇÃO por safra atinge 2 milhões de alevinos em 38 viveiros "][/caption]

Entre os empresários de sucesso, está o piscicultor Ilson Meurer, que há 15 anos iniciou a atividade na comunidade. Ele conta que no início, produzia aproximadamente 69 mil alevinos. Hoje, são 38 viveiros, que produzem mais de 2 milhões de peixes, por safra, que inicia durante o mês de outubro até maio e que geram renda e emprego ao empresário e sua esposa e mais dois colaboradores.
Entre as espécies produzidas estão, tilápias, carpas húngara, cabeça grande e capim, além de pacus. “99% da produção é distribuída em todo o Vale de Braço do Norte. Mas, já cheguei a fornecer para outras regiões do país como Porto Alegre, no Rio Grande do Sul”, revela o piscicultor.

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O dom de Carmem

Nascida em uma sexta-feira Santa, a moradora Maria do Carmo Silva Lessa, 59 anos,  tem o dom de realizar benzeduras para problemas como tiroide, cobreiro, mau-olhado, verrugas, olho de peixe, crianças que têm dificuldades de dormir, benzeduras do sol e dores de cabeça crônicas.
Ela revela que esse dom foi herdado de sua avó que faleceu com 102 anos, e que já atendia toda a comunidade na época em que não dispunham de recursos médicos. Porém, sua avó sofria com a descrença de seu filho, o pai de Carmem. “Meu pai não gostava que minha avó benzesse, pois com grande quantidade de pessoas que ela atendia, não sobrava tempo para fazer a comida e levar na roça e ele muitas vezes ficava com fome”, explica Carmem.
“Mais tarde apareceu um caroço em seu pescoço e nenhum médico conseguiu curar, então minha avó benzeu e o caroço desapareceu e ele passou a apoiar minha mãe em seu trabalho”, revela.

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Uma terra que atrai

Sertão de Rio Bonito, se transformou. Os camponeses do século passado passaram a receber novos moradores de toda a região. O casal de agricultores Daniel de Souza e Cecília Hilmann de Souza mora na comunidade há mais de 25 anos.

[caption id="attachment_5354" align="aligncenter" width="367" caption="DANIEL mostra alguns de seus produtos vendidos nas feiras"][/caption]

Entre os produtos cultivados está o milho, repolho, beterraba, laranja, além da criação de vacas leiteiras, onde quase toda a produção é vendida por Daniel em feiras realizadas na região de Laguna. “Não conseguimos produzir tudo o que é vendido na feira, alguns produtos são comprados de terceiros e revendidos para melhor atender nossos clientes”, explica.

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Os desafios

Entre os obstáculos que os moradores enfrentam, a falta de pavimentação das ruas e um ginásio de esportes são apontados como os maiores problemas do Sertão do Rio Bonito. Segundo o presidente do Caep, Agenor Sebastião da Silva, as pessoas da comunidade já se acostumaram a conviver com as dificuldades. “Além dos problemas citados, não temos saneamento básico e o posto de saúde mais próximo fica a três quilômetros daqui, porém ninguém reclama e as pessoas se sentem felizes por morar nesse local”, revela Silva.
De acordo com Agenor, existem projetos para a construção de uma capela e do ginásio de esportes, que aguardam apenas a liberação de recursos. “Trabalhamos com os pés no chão, cada um na comunidade colabora com o que pode, e estamos buscando apoio dos representantes políticos para tornar realidade estas obras tão sonhadas”, explica o presidente.

[caption id="attachment_5355" align="aligncenter" width="374" caption="EMPRESA emprega 25 colaboradores "][/caption]

Já Neir da Silva revela que a comunidade se prepara para uma grande transformação. “O Sertão de Rio Bonito está se desenvolvendo, abrindo novos loteamentos e o local já está valorizado economicamente. Nos próximos 10 anos, esta pastagem deve dar lugar a novas residências que devem ser construídas em breve”, comenta o ansioso morador.
“A imagem de um sertão, vai dar lugar a um bairro urbanizado”, completa.

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De empregados a empresários

Há quatro anos os irmãos Joelson e Cristiano da Silva Martins, decidiram largaram seus empregos para montar a SM Molduras. Localizada na Rua Jorge Manuel Martins, no Sertão do rio Bonito.

[caption id="attachment_5356" align="aligncenter" width="394" caption="EMPRESA emprega 25 colaboradores "][/caption]

A empresa atende todo o país, com os mais variados modelos de perfis com vendas no varejo e atacado, gerando emprego e renda há 25 colaboradores. Os orçamentos podem ser feitos pelos telefones (48) 9638-1715 ou (48) 8422-0402.

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